Gratidão

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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O Diário de Simonton, resumo.

O Diário de Simonton inicia relatando a aborrecida viagem para Baltimores em 5 de novembro de 1852. Nesta cidade, se sentia um estranho. Viu conhecidos de Princeton e ficou satisfeito com tudo que viu na cidade.
Embarcou já tarde e logo escureceu em uma noite agradável. Simonton ficou por um grande tempo no convés e ali encontrou uma ótima hora de meditação. Dormiu e acordou com o sol já nascendo e tudo era muito lindo.
Chegaram a cidade Norfolk e se encontrou com o pastor presbiteriano Gerge W. Armstrong, ali fez um mapa da cidade a fim de desenvolver bem o seu trabalho.
Com a finalidade de fechar assinaturas para periódicos presbiterianos, visitou as casas dos membros da igreja, mas encontrou várias dificuldades em fechar negócios. A seguir Simonton mostra como era a vida e como era a cidade que ele diz já conhecer bem.
Descobriu logo a seguir que o jornal bem como a revista que ele procurava vender, não tinha como circular ali naquela cidade.
Desconfortado e incomodado, viajou em um vagão de trem. Viagem de 11 horas passando por uma paisagem pouco atrativa de pinheiros.
Chegou a Raleigh e a conheceu de ponta a ponta. Nesta cidade, recebeu o convite para ser professor, mas preferiu recusar.
Fez uma longa viagem, mas a companhia era agradável. Cruzou toda Carolina do norte que era um estado muito atrasado e com pouca população e a descrição que se pode fazer deste estado ao observá-lo do alto é: pinheiros.
Em um domingo, no dia 14 de novembro de 1852, pode conhecer uma igreja em Fayetteville. A Igreja era grande e forte.
Simonton disse que ficou um tempo sem escrever no diário e disse que a razão é simples, preferiu ficar em companhia das jovens na casa do sr. Gilchrist. Havia ido e viu uma mulher casada pregar e achou isto uma novidade.
Após isto Simonton viaja das 23 horas até ás 16 horas do dia seguinte até a cidade de Cheraw que era um bonito lugar. Ali, ficou hospedado na casa de um amigo de seminário chamado John T. Coil.
Saiu deste lugar e no meio da mata, encontrou uma ferrovia com o trem esperando os passageiros. Era um lugar estranho para um trem ficar esperando. Para o passageiro tomar o trem, bastava ficar no meio da linha com uma tocha de fogo que o maquinista parava para o passageiro subir, mas alguns garotos, por molecagem, faziam fogos para o trem parar a toa. Chegou ao entroncamento às 8 da manhã para esperar até ás 14 horas o trem que ia para Colúmbia.
Na região sul do país, Simonton relata que a impressão era estranha, pois o povo achava que por ser ele do norte, era um abolicionista. Simonton deixa então Winsboro e segue com atrasos para Colúmbia que era uma cidade bonita com pouco comércio.
A cidade estava cheia e não havia hotéis, mas encontrou pouso em uma pensão agradável. No dia seguinte, foi trabalhar como agente, mas não conseguiu assinantes.
De lá partiu para Augusta que tinha em sua economia a força do algodão.
Em Decatur conheceu um homem que disse que seria uma boa oportunidade abrir uma escola naquela cidade e lá recebeu uma carta pedindo que viajasse para Cartersville.
Simonton teve boa impressão da Georgia e disse que lá encontrou moças bonitas.
Cartersville não passava de um lugar muito pequeno com poucas casas margeando a estrada de ferro. Simonton realmente não estava decidido a ir para aquele lugar para ser professor, pois era um lugar deplorável. No mesmo dia voltou para Atlanta.
O dinheiro a esta altura era curto, mas ainda assim, decidiu ir para o Alabama passando primeiro por La Grange. Iniciaram a viagem a pé desejando dormir em alguma fazenda tudo isto para economizar. Dormiu em uma casa de um casal bastante rude e estranho e seguiram viagem sempre procurando um bom lugar para dar aula.
Nestas viagens viu comerciantes de escravos negros sendo levados para o oeste.
Em La Grange, encontrou uma boa escola feminina e recebeu a informação que no Mississipi era o melhor local de trabalho para professor. Foi Simonton então para West Point. Após sete horas de viagem, chega a Montgomery, logo foram para Marion, mas nada conseguiu como professor.
Após ter deixado Aberdeen, com um pouco de dinheiro emprestado foi em uma viagem cansativa com muitas surpresas até chegar na casa do sr. Morrow e sua senhora. No dia seguinte partiu para Starkville no Mississipi.
Ali ficou por um longo período como professor e como relata Simonton, dias dos mais felizes de sua vida. Foi feliz na escolha, embora tenha encontrado bondade em outro lugar, entendeu estar no lugar providenciado por Deus, pois ali havia comunhão de pensamento e sentimento ao lado de bons amigos, tudo isto, em detrimento das incertezas no início como professor neste local.
Chama a atenção o método empregado por Simonton em incentivar o aluno a aprender com uma competição tentando não ter marcas pretas por cada erro. Neste primeiro ano, Simonton aproveitou um período de férias de uma semana para caçar, ler e visitar garotas.
Em um acampamento, Simonton fez muitas amizades e pode ouvir algumas mensagens bíblicas, embora somente uma delas, ministrada pelo bispo Payne foi boa. Além disto, Simonton tece comentários sobre política e suas atividades sociais como ir a um casamento.
Conversando com um homem irlandês chamado Organ, ouviu o quanto os escravos sofriam e eram surrados em suas costas. Escravidão que para Simonton era de fato um pecado.
Simonton também relata sobre uma namorada do Mississipi. Eles estiveram juntos dois meses e foi um tempo que passou rápido e foram dias muito agradáveis. O namoro com a senhorita Cattie terminou por força de seu pai que tinha preconceito com o povo do Norte.
No dia sete de setembro, dispensou os alunos para ir ao casamento de Bob Montegomery.  Presenciou ali discussões sobre o batismo de escravos e Joe concluiu que deveria o cristão batizar os filhos de escravos sendo responsáveis por eles.
Em conversa com Jamie, Simonton externa em seu diário o desejo de permanecer naquela região do sul. Simonton comenta que no casamento as pessoas beberam a vontade e ainda relata que ficou muito feliz em receber uma carta de sua mãe.
Em outubro de 1853, Simonton escreve que deseja deixar Starkville e pensava abrir uma escola em cidade maior e já fazia quase um ano que havia saído de casa.
A esta altura, o partido Democrata havia ganhado a eleição com muita folga e chegando o último dia de novembro, Simonton entendia que deveria partir, mas seu coração se sentia incomodado pelos laços que fizera com os alunos. Mas com o empenho dos curadores da escola, Simonton acabou decidindo ficar mais um tempo.
Dezembro deste ano, Simonton visita pessoas e relata como aproveitou seu período de férias.
O ano seguinte inicia e Simonton vai presenciar um negocio de escravos e faz duras críticas em seu diário contra a escravidão. Simonton relata inclusive os valores que os negros foram vendidos e como era a reação de alguns deles.
O novo semestre de aula inicia e Simonton se alegra com isto e conta com 16 alunos e passou a dar aulas de álgebra e grego e em 20 de janeiro de 1854, chega a maior idade.
Em fevereiro daquele ano, nasceu uma criança filho do Dr. Carothers que recebeu o prenome Green em homenagem a Simonton.
Simonton ainda relata que deu umas varadas em dois alunos que em seu ponto de vista, mereciam. Os pais da criança ficaram bravos e queriam bater em Simonton, mas não fizeram, pois amigos de Simonton estiveram ao seu lado, bem como os curadores da escola. Após isto, resolve voltar para casa no final do semestre. Retorna para casa e não dá certeza que voltaria a ser professor naquela escola. E após dois anos longe de casa, retorna para o lar e lá aproveita para escrever em seu diário, várias histórias vividas.
Em casa tem boas notícias de Princeton e aproveita para ler e teve momentos com todos os familiares.
Em outubro de 1854, começou a trabalhar em um escritório como escrivão. Teve algumas dificuldades logo no primeiro dia. Passou a estudar a manhã toda e no trabalho estava presente todas as tardes e por isso recebia em torno de 4 dólares por semana. Era pouco, mas estava feliz por aprender a profissão. Estudava alemão e direito e passou a se esforçar por levantar todos os dias bem cedo a fim de estudar.
No fim de dezembro de 1854, Simonton entende que o homem é um ser religioso e refletia sobre as diferenças católicas e protestantes e em 20 de janeiro de 1855, completa 22 anos. A dedicação com estudos de direito continuava e em março deste ano, Simonton relata que passou a ter grande interesse religioso e uma das noites ficou após a reunião ao lado de mais umas vinte pessoas. Entendia que era um passo importante.
Simonton declara que em Princeton foi grandemente motivado e interessado nos aspectos religiosos, mas isto esfriou e agora naquelas reuniões, havia voltado o interesse. Simonton decide então servir a Deus. Não era nada muito encorajador, senão o fato de confiar na Palavra de Deus e em suas promessas, mas Simonton ainda não havia achado Cristo, embora a sua Palavra declare estar ele perto.
No dia 3 de maio de 1855, Simonton é examindado para fazer sua profissão de fé e no domingo dia 6, isto acontece. Ele encara isto com muita seriedade. Ele disse que fez aliança com Deus para ser dele no tempo e na eternidade. Estava de baixo da livre e imerecida Graça de Deus.
Em Junho desse mesmo ano, vai para o seminário de Princeton. Foi um momento singular.
Em Princeton, havia um quarto desagradável, pois era escuro, úmido e vazio e por isso gerava tristeza. Mas sobre os estudos, Simonton não encontra dificuldades. Em 14 de outubro de 1855, ouve um sermão do Dr. Hodge e Simonton fica muito interessado na obra missionário no exterior.
A partir de então, Simonton passa a ter muitos contatos com vários tipos de informações missionária  e do desenvolvimento missionário.
Encerrado o semestre, Simonton se inscreve para ser colportor em Iowa. Foi um tempo de muitas viagens cansativas a cavalo e também de barco.
Após quatro meses, o novo semestre inicia e a ideia de trabalhar como missionário permanece no coração dele por mais de um ano e no dia 25 de novembro de 1858 envia carta à junta de missões apresentado seu desejo e cita o Brasil como campo de seu interesse. Foi então nomeado missionário.
Às 9 horas e 30 minutos do dia 18 de Junho de 1959, Simonton parte rumo ao Brasil deixando os seus queridos em terra firme.
A viagem transcorre em paz. Ele lê, conversa, observa e troca até conversas íntimas com os trabalhadores do navio ouvindo relatos familiares. O hemisfério norte fica para trás no dia 28 de julho do mesmo ano. A viagem foi longa e uma simples e pequena ilha no percurso, serviu de grande admiração para Simonton que há 36 dias não via terra. Era a ilha de Fernando de Noronha. Fez a viagem sem ansiedade para chegar, leu bastante incluindo a metade da obra de Shakespeare.
Em uma noite escura daquela viagem, quase que foram destruídos por outro navio que surgiu inesperadamente, mas passou perto. Simonton aproveitava para estudar a Bíblia com as pessoas do navio e por iniciativa própria, até os marinheiros participavam. No dia 9 de Agosto, uma quinta feira, Simonton via o Pão de Açúcar, mas o vento estava parado. No dia 12 de Agosto, ainda bem cedo, o navio fazia manobras para entrar no porto. A imagem era linda daquele lugar.
Neste mesmo dia, às 14horas e 15 minutos, está junto à escrivaninha de Robert C. Weight com cartas de apresentação. Às 17 horas jantou e conheceu outras pessoas, como a sra Scott, esposa do cônsul.
Simonton relata que no domingo, dirigiu seu primeiro culto aos que estavam a bordo e todo povo o ouviu com atenção.
Simonton relata como foi a comemoração do dia da independência do Brasil e no dia 12 de setembro realizou o segundo culto a bordo do John Adams e isto continua por um tempo e sempre estava em busca de oportunidade e lugar para anunciar o evangelho.
Simonton recusa batizar uma criança, pois sua mãe acreditava que ir para céu era possível tentando imitar Cristo.
A esta altura, uma das grandes lutas de Simonton era aprender o português e havia tido progresso como relata em 2 de dezembro de 1859.
No fim de dezembro de 1859, Simonton recebe um bilhete anônimo, mas entende que havia sido enviado pelo Dr. Kalley. A divergência deles, conforme relato, termina bem. Simonton o procurou e Kalley reconheceu que havia errado.
Véspera do Natal, Simonton relata que a luta de aprender o português continuava e no último dia de 1859, recorda o ano e faz uma retrospectiva positiva de tudo que estava acontecendo e em 3 de janeiro de 1860, fica feliz de ir morar em uma casa onde se falava o português. Simonton se alegra também, pois ao completar 27 anos, recebe uma singela homenagem.
Mudou-se novamente com a expectativa da chegada de Blackford e de sua esposa e as maiores aflições é a falta dos amigos e parentes além da presença do forte calor.
Foi no dia 22 de abril de 1860, que ele realizou uma escola dominical em sua casa, primeiro trabalho em português. Cartas que recebera anunciavam a chegada mais breve de Blackford e um dado alarmente é que a febre amarela estava presente e ouvia relatos de doze a quinze mortes por dia. Outra dificuldade é em relação ao fundo recebido que era pouco para manutenção da casa.
Blackford e sua esposa Lille haviam partido dos Estados Unidos, mas a demora fazia Simonton acreditar que estavam mortos por motivo de algum naufrágio, mas 90 dias após a partida, o navio chegou ao Brasil.
Completara um ano que Simonton estava no Brasil e não havia feito, a partir de sua ótica, muitas coisas senão cuidar de seu preparo e em outubro de 1860, as dificuldades financeiras eram grandes.
Simonton viaja para São Paulo em janeiro de 1861 e prega lá. As Bíblias que aguardavam chegar a Santos não chegaram, então viajam para Sorocaba e ali passa o seu 28º aniversário.
Viaja até Itapetininga em 22 de janeiro de 1961, depois para Itu onde atualiza notícias de seu país e na sequência vai para Campinas.
De volta ao Rio de janeiro, Simonton deu aulas de inglês e português. Tinha o objetivo de aproximar de pessoas brasileiras a fim de convidá-las para estudos bíblicos dominicais.
Simonton relata que realizava cultos aos domingos e às quintas com uma frequência que não aumentou e se manteve em número de 3 a 20 sendo mais comum de 6 a 10. E findo o ano, Simonton tem motivos de gratidão por tudo que havia acontecido.
No dia 12 de Janeiro de 1962, Simonton recebe em profissão de fé as primeiras pessoas, celebra a ceia e organiza a primeira igreja. Simonton muito se alegrou. Completa 29 anos em Praia Grande e logo depois viaja para a sua terra natal.
Os Estados Unidos enfrentavam em uma crise política e no fim de 1862, Simonton passa um agradável Natal na casa da família Murdoch.
Simonton em Janeiro de 1863, substituiu o pastor de uma igreja enquanto vivia a expectativa de decisão foi quando Helen Murdoch decide ser a noiva de Simonton. Eles se casaram em uma quinta-feira no dia 19 de março. Cerimônia simples, linda e marcante. A seguir viajaram para o seminário de Princeton e Helen ficou muito admirada com tudo que viu.
Embarcaram para o Brasil no dia 23 de maio de 1963 e a viagem foi agradável.
No Brasil o trabalho continuava e crescia com maior vigor e Simonton privilegiava morar próximo de onde trabalhava, pois assim se tornava mais acessível a todos e facilitava a ida de Helen aos cultos.
Blackford e sua esposa Lille que era irmã de Simonton, mudam para São Paulo e no Rio de Janeiro, Simonton continua ao lado de Schneider
Inicia o ano de 1864 e a guerra nos Estados Unidos continuava e Helen estava grávida e logo Simonton completa o primeiro ano de casamento e no dia 19 de junho de 1964, Simonton se alegra com o nascimento de sua filha, mas Helen havia sofrido sobremaneira.
O relato no diário de Simonton que se segue, foi o do dia 28 de junho quando diz: “Deus tenha piedade de mim agora, pois águas profundas rolaram sobre mim. Helen está estendida em seu caixão na salinha de entrada. Deus a levou tão de repente que ando como quem sonha”. (SIMONTON, 2002, p. 164)
Simonton vive dias de aflições e o mesmo reconhece estar vivendo dias de solidão lembrando-se de sua esposa e ainda cuidando do pequeno bebê chamada de Helen que foi batizada no dia 31 de julho de 1864.
Completava Simonton 5 anos desde que havia pisado no Brasil pela primeira vez e no dia 26 de novembro, a pequena criança vai morar com a tia em São Paulo.
Simonton diz que a imprensa evangélica tem gerado muita ansiedade e ele tem se preocupado a esta altura sobre o modo de como viver no Rio. Mas entregava seu futuro nas mãos de Deus.
Em Janeiro de 1865, no dia 11, Simonton escreve:

“Na minha própria vida interior, as mudanças operadas por esse ano são indescritíveis. Um ano atrás eu tinha casa na Silva Manuel e nenhum desejo terreno insatisfeito. No meu trabalho e no amoroso companheirismo da querida Helen, eu tinha tudo o que jamais sonhara de contentamento profundo e calmo. Conversávamos sobre os nossos, os amigos na pátria, e dizíamo-nos que não trocaríamos de lugar com nenhum deles. Agora tudo mudou. Deus misteriosamente tomou meu esteio forte. Eu ainda me pergunto por que, sem conseguir responder. Oro pedindo sua graça”. (SIMONTON, 2002, p. 170)

No dia 22 de fevereiro de 1865 viaja para São Paulo, passa por Brotas e no dia 25 de abril encontra sua filha quase andando e muito se alegrou com isto. Outra boa notícia é que a guerra nos Estados Unidos estava prestes a acabar o que de fato acontece pouco depois.
No dia 31 de dezembro de 1866, Simonton registra que havia combinado com o sr. Conceição que ele preparará uma publicação a defesa de suas razões para abandonar a igreja romana.
Simonton tinha muito trabalho e era incansável em sua luta e sempre que podia estava com sua filha.
E em sua avaliação do ano de 1866, Simonton faz algumas considerações políticas e religiosas de âmbito mundial e conclui que não havia feito tão bem quanto gostaria. Estava incomodado pelo fato das atividades que eram muitas, impedir muitas vezes de estar em comunhão íntima com Deus.



Referência Bibliográfica.

SIMONTON, Ashbel Green. O Diário de Simonton. São Paulo: Editora Cultura Cristã. Tradução de Daisy Ribeiro de Moraes Barros. 2002. 2ª ed.

Bandeirantes da Fé - resumo

A seguir você lerá uma resumo do livro "Bandeirantes da fé" escrito por: CHAVES, Maria de Melo.

O livro traz um relato histórico do início da igreja evangélica no Brasil, descrevendo um pouco dos feitos missionários, chamados de “bandeirantes da fé”. O livro inicia logo em seu prefacio com um incentivo por parte de Paulo Freire de Araujo, a todos os cristãos brasileiros a contarem as bênçãos de Deus, muitos vêm e se deleitam com milagres acontecidos em outros países, todavia as benção de Deus são abundantes também aqui.
Conta a história de Manuel Joaquim e sua família, filhos e irmãos; nascido em 10 de dezembro de 1872 no município de Bagagem. Filho de José Joaquim de Melo e Gertrudes Maria de Jesus, descendentes do Bandeirante paulista João de Leite da silva Ortiz e do Barão de São Francisco, Cabral de Melo. Este era homem rico e poderoso viveu onde hoje se chama Rio Paranaíba.
Manoel Joaquim desde pequeno sempre foi doente, padecia de maleita, sendo obrigado a permanecer em casa, onde ajudava nos afazeres do lar, onde devido seu temperamento irrequieto desenvolve um senso maior de responsabilidade. Este tem maior afinidade com seu irmão mais velho David, e devido seu estado de saúde gostava de passar dias e até meses na casa de David, o qual foi o primeiro Bandeirante da fé do Triângulo Mineiro e por meio do qual Manoel veio a conhecer a Jesus.
A família toda era muito religiosa e David, um homem dotado de certa inteligência não ao observar a vida de um padre percebe que o que ele pregava não condizia com suas atitudes. Inconformado e descrente não diz nada a ninguém e acredita ser sua atitude uma rebeldia, passa a se penitenciar a tal ponto que seu jejum o faz com que caia enfermo. Foi quando recebeu a visita de um amigo José Quirino do qual recebe um livro, na época um presente muito valioso. Este entrega o livro, fala que o livro já viajou muito, que seu irmão o ganhou de um viajante esquisito que ia para Paracatu e ninguém sabe de que se trata. Manoel questiona se não se trata das Bíblias falsas espalhadas por João Boyle. Assim que seu visitante sai percebe se tratar sem de uma Bíblia, mas só o novo testamento. Logo em seguida entra de forma inesperado um segundo visitante, que o pega lendo o livro, era o ex caseiro do sitio do rev. João Boyle esse afirma ser o livro verdadeiro, rende graças a Deus pelo privilégio de conhecer a palavra e desafia Davi a comparar aquela Bíblia com a Bíblia do padre colocando em risco a sua própria casa, caso não sejam iguais. Assim David assume o compromisso de estudar a Bíblia na casa Sr. Dornelas.
Logo que David se sente melhor vai a Monte Carmelo a fim de fazer negócios e conseguir a Bíblia emprestada com o seu vigário. Faz vários questionamentos a respeito de suas dúvidas, anseios e deixa claro seu interesse pela leitura da palavra  mas o padre se esquiva alega e não ser o tipo de leitura fácil para um leigo, diz estar em latim e só cabe aos padres fazer interpretação da mesma. David afirma que ira conseguir uma Bíblia custe o que custar e que ninguém ira impedir que leia a carta enviada por Deus a ele. O padre percebe que acabava de perder uma de suas ovelhas, um homem de fibra e caráter que jamais voltava atrás em sua palavra. David conta tudo a sua esposa e no Domingo de manhã a família toda vai à casa de Dornelas onde passam o dia todo estudando a palavra de Deus. Dornelas da às instruções de modo muito simples, mas o suficiente para que David inicie sua caminhada na fé. Dornelas lhe contou que em Estrela do Sul poderia conseguir uma Bíblia assim como outros livros evangélicos e que próximo à cidade na fazenda Córrego da Onça, havia uma congregação onde poderiam lhe explicar mais sobre a fé evangélica. Falou também sobre a visita do rev. Carlos Morton que deveria acontecer nos próximos vinte dias nas congregações em Estrela do sul.
O rev. Carlos Morton casado com D. Lucy Hall Morton, morava em São Paulo, mas sue campo missionário se estendia até a cidade de Paracatu. Viagens que eram feitas a cavalo. Foi ele o primeiro pastor da velha igreja Presbiteriana de Araguari. Verdadeiros heróis que deixavam o aconchego do lar e enfrentavam toda sorte de dificuldades tanto nas viagens como por parte da própria população local que pretendiam manter o povo na ignorância. Mas enfrentaram tudo com serenidade certos de estarem cumprindo a ordem do Mestre: O “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a todo a criatura”.
Davi combina com Dornelas irem juntos encontrar o rev. Carlos Morton. Leva a Bíblia do amigo para casa e lê afoitamente procurando conhecer a verdade. Deus fala a seu coração e ele sente-se feliz e livre, pois percebe que nada mais havia entre ele e Deus, nada de festas, de novenas, era somente ele e Jesus Cristo. Chega o prazo determinado para a visita do rev. Carlos Morton, David já está disposto a abraçar a nova fé. Ao chegar ao “Córrego da onça”, todos ficam admirados com a presença de David, ainda mais por ele querer falar com o rev. Carlos Morton. Ali David permanece três dias ouvindo à palavra e aprendendo e consegue que o rev. Morton vá até sua casa falar a sua esposa e suas filhas. Na casa de David passam-se mais três dias de grandes esclarecimentos e muita oração ao fim do qual Morton recebe por profissão de fé a David, sua esposa Maria Isabel e suas filhas Isabel, Mariinha e Gertrudes.
Morton nem imaginava quão preciosos frutos viriam daquela humilde família desejosa da profunda comunhão com Deus. Família que deu origem a varias igrejas e congregações com crentes devotos e consagrados.
A Primeira perseguição vem por parte de seu pai, muito católico determina que o protestantismo é doutrina do Diabo. Muito furioso resolve desviar o filho da doutrina, mas não tendo êxito passa a usar métodos violentos. Alega que David esta ele com um espírito mau e proibi a família de se aproximar dele.
Nesses dias uma congregação filiada à igreja presbiteriana florescia em Araguari.
Tertuliano Goulart, um dos bravos pioneiros fundador da Igreja na fronteira de Minas e Goiás. Este fica sabendo da conversão de David e resolve fazer a ele uma visita em Estrela do sul.
O senhor José Joaquim pai de David tenta impedir a visita e com intensa raiva e pensando estar fazendo um bem à Igreja Católica se dirige até a casa de David. Armado diz para ele expulsar de vez o demônio daquele lugar. Mas Deus está sempre no controle, chega à casa de David e encontra apenas a nora e as filhas. David e Tertuliano haviam saído para visitar a congregação do Córrego da Onça. O Sr. José Joaquim em seu fanatismo fala horrores à nora, por horas a fio até que essa não mais suportando desmaia e cai. Esse percebe então a desgraça que causou, pois a nora tinha acabado de dar a luz à apenas quinze dias.  Socorre então a nora, e a deixa aos cuidados das filhas, corre até sua casa e manda sua esposa para cuidar da nora. A família devido ser protestante não consegue arranjar empregados e a D. Maria Isabel passa a sofrer das faculdades mentais. Rejeita o filho ainda nos primeiros dias e não recupera mais a saúde. Tornando impossível a vida de David. Mas sabe-se que todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus. Com remorso o Sr. José Joaquim permite a família a se reaproximar de David a fim de ajudá-lo e envia Manuel para passar uns dias na casa de David. Todavia deixa claro que não se pode tocar em assunto de religião com ninguém da família.  Maria apesar de todo sofrimento não negava a fé e dizia a todo instante pertencer ao Senhor Jesus.
O padre local aconselha ao sr. José Joaquim retirar seu filho da casa do irmão, pois diz ser o protestantismo pior do que a lepra. Manuel ao deixar a casa do irmão declara que nada tem contra ele e se põe a disposição para ajudá-lo.
Na casa do pai nada é mais como antes, a família está desunida. Quando por se reunia pairava no ar um clima constrangedor, pois todos eram proibidos de falar em religião. Manuel se aproximara muito do irmão e sentia falta dele. Assim logo Manuel declara à família que ira cuidar de seu sitio e de seu casamento. Manuel compra um terreno à margem do rio perdizes, em um lugar ermo, sem vizinho próximo. Não tendo mais dinheiro para pagar alguém, tem que trabalhar sozinho. Com a ajuda de seus dois irmãos que também moravam na beira do rio embora distantes, (trocavam dias de serviço), depois de muita labuta enfim consegue seu primeiro roçado e espera ansioso pela colheita. Com a graça de Deus em breve poderia arranjar uma companheira. Através de Anselmo um negro que seu pai contratara e que designou que o ajudasse, Manuel vem a conhecer os outros negros alforriados da fazendo Mendonça o qual sendo um bom patrão mesmo alforriados esses continuam trabalhando na fazenda. Esses conhecendo Anselmo passam a trabalhar para Manuel e através de Salvador, um antigo negro da fazenda Manuel se aproxima da família Mendonça e vem a conhecer a Maria Eulina sua futura esposa.
O casamento fica marcado para quinze dias depois. Manuel convida o irmão David para ser seu padrinho e fica surpreso com sua sinceridade, este fala que só pode ser testemunha no civil, na igreja católica não, devido a grande falsidade que lá existe. Em uma conversa amigável David leva Manuel a perceber que o pai de ambos no fundo é um protestante sem saber uma vez que não tinham ídolos em casa e sabia ser na Bíblia proibido o culto a esses e, sobretudo esse era contra toda novidade que aparecia. E que o padre Manuel se aproveitava da teimosia do velho para incutir em sua cabeça mais preconceitos contra o protestantismo. Se ele não fosse tão teimoso já teria comparado as duas Bíblias e então veria que são iguais. Desse modo convenceu Manuel a ler a Palavra de Deus, contudo Manuel avisa que não quer que ninguém saiba que ele esta lendo o livro dos crentes. Naquela noite Manuel presencia o primeiro culto doméstico na casa de David.   Manuel é instruído pelo irmão não haver valor legal a cerimônia religiosa. Não tendo recurso financeiro para pagar o casamento no civil, procura em vão na Bíblia uma passagem que desse alusão ao casamento religioso, todavia não encontra, então pede perdão a Deus pelo ato que está para cometer. David prometeu chegar um dia antes do casamento, mas devido a um contratempo só consegue chegar no dia. Leva de presente ao irmão uma Bíblia e não o encontrando esconde está no terreno do lado de fora da casa. Na hora da cerimônia o padre faz algumas perguntas simples sobre religião ao noivo e logo passa a falar de política. Sendo ele um chefe político propõe a Manuel uma troca, será beneficiado pelo perdão caso vote em seu partido tendo este de prometer naquele momento. Manuel fica furioso e o responde dizendo saber agora porque o acusam de fazer comércio com a religião. Manuel se casa no dia 20 de maio de 1897 e no mesmo dia deixa a Igreja Católica.
David o avisa sobre a Bíblia e promete em breve lhes fazer uma visita. Manuel a encontra e conta a esposa o ocorrido. Passa a ler em vós alta para sua esposa. Então dia a dia Manuel descobre na palavra de Deus o quanto a presença de Deus é importante dentro do matrimônio.
Um dia ingenuamente Maria Eulina conta a sua madrinha sobre a leitura da Bíblia esta faz de tudo para fazer a afilhada a desistir da leitura. Manuel e Eulina ficam firmes e são afastados de seus familiares e de seus amigos, mas perseveraram na fé, pois liam nas escrituras textos que diziam “Bem aventurados sois quanto por minha causa vos injuriarem e vos perseguirem” e eram assim consolados pela palavra de Deus.
Manuel lê a Bíblia começando por Gênesis, não aceitava a ajuda de ninguém e diz que tudo tem a sua ordem, entretanto Deus falava a seu coração e quando finalmente após algum tempo chega à leitura de João 3.16, a partir de então não teve mais duvida, chama a esposa e a convence que estão no caminho da verdade.  Manuel arranja um menino para fazer companhia a sua esposa e parte para casa de David, procurando notícias do pastor. Sua esposa lhe pede para que não professe sua fé sem que ela esteja com ele. Ele diz que fará o possível para esperá-la, mas que não promete.
Chega à casa de David e fica sabendo que esse foi para o Córrego da Onça encontrar com o rev. Carlos que não se encontra bem de saúde. Parte então também para lá. Sua chegada é vista com espanto pelo seu irmão o qual pensa ter ocorrido uma tragédia, mas logo o espanto se transforma em alegria ao saber que o irmão busca saber mais e estar na presença de Deus.  O rev. Carlos que já havia terminado o sermão inicia com alegria um novo sermão, especialmente para o visitante que acabara de chegar. Na noite seguinte, dia 15 de julho de 1898, é recebido em profissão de fé três pessoas. O rev. Carlos prega sobre o cego Bartimeu com base no texto de Marcos 10.50. e logo em seguida o hino 111 dos Salmos Hinos: Luz do mundo. Manuel feliz com a palavra Deus percebe ser impossível cumprir com a palavra que dera à sua esposa e nesse mesmo dia faz a sua pública profissão de fé. Fica combinado que seis meses depois o Pastor irá até sua casa para receber sua esposa em profissão de fé.
Manuel e Eulina viviam isolados de todos contando apenas com a presença alegre dos crentes. Contudo certo dia Manuel se vê enfermo, cabendo a Eulina cuidar da roça e da casa, não bastasse tamanho sofrimento descobre que Manuel foi enganado na compra do terreno e este não mais lhe pertence. Seu outro irmão Tonico também se interessa pela nova religião e ajuda Maria Eulina na colheita da lavoura, a qual pretendia vender para buscar o tratamento de Manuel.  Em meio a tanto sofrimento Manuel e Eulina não se desesperam, buscam em oração a ajuda de Deus. Sofrimento que é visto pela sua madrinha e familiares como castigo de Deus aos hereges. Mas a resposta enfim chega. David fica sabendo que pouco distante dali uma senhora também enferma quer vender sua propriedade a qualquer preço. Informa o irmão o e este pra lá se dirige a fim de fazer negocio. David vende o mantimento e consegue a quantia que a senhora pede pelo terreno. Manuel se vê agora com uma fazenda enorme, mas ainda sem condições de trabalhar. Benção de Deus vista pelos familiares e vizinhos descrentes como ajuda do Diabo.
Nesse ínterim recebem a noticia que o rev. Carlos Morton esta chegando de viagem e que ficará em sua casa. Casa de um cômodo apenas. Assim resolvem fazer um quartinho de cana de milho para hospedar o pastor. E o recebem com muito carinho e alegria. Fato que o rev. Carlos Morton relatou mais tarde nos Estados Unidos visando despertar o interesse pelas missões no Brasil.      
Em 1903 Carlos Morton vem a falecer e deixa grande tristeza e saudades. Para substituí-lo é enviado o rev. Roberto See. O missionário fica vários dias em casa de Manuel e faz visitas também em Araraquara, município de Monte Carmelo. Para substituir o rev. Roberto See vem o rev. Roberto Daffim. Nesse tempo as pessoas haviam se aproximado novamente da família, com exceção do sr. José Joaquim e da sua madrinha de Maria Eulina. Todos os presentes na hora do culto Doméstico, com respeito à Palavra de Deus ouvem com atenção a leitura da palavra. O rev. Roberto Daffim com sua simpatia logo cativa o povo.
Com grande dificuldade Manuel e Eulina conseguem reunir verba para abrir o próprio negócio. Manuel se prepara para ir a Araguari para comprar mantimento quando descobre estar Maria Eulina grávida e acha por bem adiar a viagem. Com o nascimento da menina e planeja o seu batizado, arranja uma companhia para Maria Eulina e a aconselha a convidar o máximo de pessoas possíveis para o batizado. Primeiro batizado da Igreja Presbiteriana. Manuel parte rumo a Araguari para fazer suas compras e buscar o Pastor. Chegando lá para seu desapontamento o rev. Roberto não está mais ali. A igreja local agora tinha governo próprio dirigida por diáconos e presbíteros brasileiros e o Pastor era o brasileiro rev. Palmiro Rugeri. O qual não podia o acompanhar a fazenda, pois esta estava nos domínios da West Brasil Mission. No entanto pode rever dois bons amigos o Sr. Tertuliano Goulart e o Sr. Cherubino Santos, Homens crentes no Senhor Jesus que apresentaram Manuel aos comerciantes da cidade, podendo então ele fazer bons negócios. Contudo o batizado continuava sem solução. A igreja presbiteriana se dividia surgindo a presbiteriana independente. Movimento guiado pelo Filósofo Eduardo Carlos Pereira. Nesse dia chega a Araguari o ministro da igreja independente o rev. Caetano Nogueira o qual pretendia visitar os crentes de Estrela do sul. Cherubino aconselha Manuel a levar o rev. Caetano até sua fazenda. No domingo devido ao batizado de Maria de Melo Chaves (a autora), a fazenda estava lotada e o rev. Caetano tem de pregar ao ar livre. Ocasião em que muitos tiveram a oportunidade de conhecer a Jesus. O rev. Caetano foi embora alegre prometendo voltar no ano seguinte fato que não se concretizou, Deus o chamou para morar no céu.      
Os negócios de Manuel vão bem  e este prospera com as bênçãos de Deus. O que é visto pelos inimigos como benfeitoria do diabo.  Manuel e Maria Eulina continuam firmes na palavra de Deus e sempre fies em seus dízimos. Com a ausência do Pastor Manuel reúne os convidados e amigos e ele mesmo a seu modo ministra a palavra. Muitos se convertem e tem inicio ali uma consagrada congregação dos crentes. Quatro anos depois nasce a Segunda filha a Marta e eles têm a feliz noticia que o presbitério de minas designou um novo pastor para aquele campo, o rev. Alberto Zanon.
Alberto Zanon vai a fazenda prega a uma imensa multidão e batiza a Marta.  O rev. Zanon foi pastor em Estrela do Sul durante treze anos. Formado pelo seminário Presbiteriano ainda novo fixou residência em São Francisco das Chagas do Campo Grande, hoje cidade de Rio Paranaíba.
A princípio os filhos são enviados pra um colégio interno em Araguari e no ano seguinte para ficar perto deles Manuel muda-se para Araguari, onde tem oportunidade de participar ativamente da igreja, todavia a mudança não corresponde às suas expectativas. O colégio “Araguari College” que ficava aos cuidados do rev. Tavares e D. Lizzie fecha e as meninas são colocadas em uma escola particular. O rev. Alberto Zanon é transferido para Cabo Verde, no Sul de Minas Gerais e Seu Manuel volta a morar na roça. Seguindo o conselho do rev. Alberto Zanon envia os meninos para estudar no colégio interno de Lavras, Educandário evangélico da Igreja Presbiteriana de Lavras, este aos cuidados de Sr. Samuel R. Gamom e Carlota Kemper, nomes que merecem destaque na história da Igreja. No instituto Gamom os filhos de Manuel desde o mais velho até o caçula, onde recebem tanto a instrução intelectual quanto espiritual.
Nas férias as três filhas mais velhas de seu Manuel evangelizavam os vizinhos da casa de seu pai.
Ainda em Lavras, Maria, a autora e tocada pelo Espírito Santo através das palavras de um missionário o Dr. Allim, na época alvo de chacotas por parte das internas devido aos erros de Português que cometia. E esta sente o desejo de servir a Jesus.
Em 1925, Maria termina seus estudos e retorna para a casa dos pais, mas percebem  não ser a fazenda um local apropriado para uma Igreja devido a localização em que esta se encontra, sentem como o local certo o arraial de Douradoquara, todavia não têm uma casa lá. Dias depois surge a oportunidade de comprar uma casa no arraial e entendem ser Deus respondendo as orações, Compram o local, mudam o comercio para lá. Esperavam por esses dias a visita do Dr. Alva Hardie, que morava em Patrocínio, centro do trabalho naquele tempo. Já no primeiro domingo antes mesmo da mobília chegar Manuel ao abrir a porta encontra um grupo de trinta pessoas que dizem ter vindo para ouvir o culto da família. Manuel, pego de surpresa chama sua filha Maria e a incumbe de falar naquele dia. Pega também de surpresa, uma vez que nunca havia falado para adultos, sabia querer ser professora, mas de crianças. Pede então sabedoria a Deus, Abre a Bíblia medita por alguns instantes na palavra de Deus, lembra-se que Deus sempre está no controle e que não devemos nos preocupar frente ao que formos falar. Prega então naquele dia por mais de uma hora. O povo se despede e diz que voltará no domingo seguinte trazendo mais pessoas.
Improvisando um local pra a escola dominical e o culto a noite de domingo, seu Manuel manda espalhar a madeira que seria empregada para a construção do prédio da escola paroquial que também serviria de escola dominical, com folhas de babaçu improvisando bancos e sombras para um total de duzentas pessoas. Nesse local à sombra de babaçu, muitos ouviram a palavra de Deus.
Pregaram ali o rev. Alva Hardie e Elias Tavares entre outros. A primeira turma a professar a fé foi um grupo de oito pessoas com o rev. Hardie.
Os outros irmãos voltam da escola e Maria tem a oportunidade de começar a lecionar para aquela gente, e a igreja assim vem a abençoar o povo também através dos estudos naquele local.
Em Douradoquara a Igreja é duramente perseguida pela Igreja Católica, sendo ali ameaçados até mesmo de morte. O governo que até então não ajudava a população, movidos pelo preconceito contra os cristãos, começam a se lembrar daquele lugar.
Sara assume o trabalho em Douradoquara e Maria vai a Patrocínio fazer um curso para obreiros, no qual o professor é o rev. James Woodson.
Trabalhou em Patrocínio em 1923 os missionários da West Brasil Mission o rev. Alva Hardie, rev. Roberto Daffin e o rev. Eduardo Lane.
Nessa época havia somente dois crentes na cidade de Patrocínio. A Primeira pregação de acordo com Maria acontece no Antigo Cinema o qual fica lotado. O pregador é o rev. Alva Hardie com a mensagem intitulada” Zaqueu desce da figueira”.
Patrocínio é escolhido como o “centro do campo missionário”. E em 1924 o rev. Alva e sua esposa Kate mudam-se para Patrocínio.
O campo missionário consistia em treze cidades e se estendia de Araxá a Paracatu e de Arapuá para lodo Oeste.
O rev. Alva Hardie residiu em Patrocínio de 1924 a 1931 e lá encontrou somente três crentes. Foi um homem zeloso no trabalho do Senhor.
A Igreja em patrocínio cresce rapidamente e a West Brasil Mission tem que enviar mais um casal para auxiliar o rev. Alva Hardie. Em 1937 O rev. Jaime Woodson e sua esposa Jessie chegam. O rev. Jaime torna-se pastor da Igreja de Patrocínio e fica ao seu encargo mais algumas congregações. O resto do campo fica com o rev. Alva Hardie.
Graças as Perseguições e a intolerância por parte do padre Joaquim Tiago dos Santos o qual critica sua ovelha por fazer negócios com os protestantes a Igreja ganhou mais dois crentes o Sr. Sérvulo Veloso e sua esposa D. Alice Epifânio Veloso.
O rev. Jaime abre um curso para obreiros, o qual oferece aulas de teologia, história da Igreja, Homilética e Trabalho Pessoal, o curso contava com quatro moças e dois rapazes, sendo uma deles a Maria de Melo Chaves (a autora) e um dos rapazes é o rev. Carlos o que futuramente vem a ser o esposo de Maria. O curso começa, mas dura um curto período, devido o Pastor de Araguari não se encontrar bem de saúde, Jaime é transferido para aquela região. O Curso que Jaime iniciou é hoje o Instituto Bíblico.
A senhora Kate Hardie e o esposo rev. Alva Hardie têm a ideia de abrirem um colégio evangélico em Patrocínio. Então Kate lança o desafio a Maria de Melo Chagas para juntos entrar nesse embate. Sabiam não ser fácil, tinham poucos recursos financeiros e a população local era instigada pelo padre a não negociar com os protestantes, se recusando até mesmo a alugar os aposentos. Mesmo assim Deus abre as portas e a Escola começa a funcionar na casa do sr. Cristóvão no dia 15 de fevereiro de 1928. Um Colégio para meninas e meninos e com a mudança do rev. Jaime este passa a funcionar na residência em que ele morava. Como não havia escolas para meninas em Patrocínio, ninguém havia se importado antes com esse fato. Então o Padre Joaquim Tiago não querendo ficar para traz, move o mundo em perseguição aos cristãos e tem início assim a Escola Normal de Patrocínio, dirigida por Freiras. A perseguição à Igreja servia de propaganda e a Igreja crescia cada vez mais.
O Colégio foi de suma importância para a vida da igreja e dos cidadão daquela cidade, dentro dos alunos que frequentaram a escola muitos merecem destaque. Não podendo ser relatado aqui devido ao grande numero de pessoas. O rev. Oscar Chaves, ministro presbiteriano da junta de Missões, pastor de Marialva no campo do Paraná (  cunhado de Maria de melo chaves), O Rv. Zaqueu de Melo (irmão de Maria de M. Chaves) diretor do Instituto Filadélfia, de Londrina PR.
O colégio acabou, ficando em seu o Instituto Bíblico motivo de lamento por parte da autora.
Com objetivo de estudar no seminário Carlos e Maria casam-se no dia 26 de dezembro de 1928 e tempos depois já com a primeira filha nos braços, mudam-se para Campinas, contando apenas com as bênção de Deus e boa vontade dos irmãos, companheiros de seminários e verdadeiros crentes em Cristo Jesus.
Foram muitas lutas, mas com muita oração e fé vencem o primeiro ano. Ao fim deste voltam para Patrocínio a fim de rever seus familiares e esperavam que o ano seguinte fosse mais tranquilo no quesito financeiro. Carlos é recebido como candidato pelo Presbitério de Minas e dele esperavam receber alguma ajuda financeira. O que não acontece.
Ainda no embarque de volta a Patrocínio conhecem o rev. Eduardo Lane demonstra boa vontade em ajudá-los, dando-lhes uma pequena quantia em dinheiro que lhes foi útil na viagem. Já em Patrocínio o rev. Eduardo Lane propõe a Carlos que o substitua nos três meses seguintes, dando suas férias ao trabalho de missões.
Parte então para o Rio Paranaíba, lugar onde as pessoas mais influentes eram os protestantes. Entre eles senhores como Abner Borga, Trajano Silva e Hilharino Rocha. Era uma Igreja que passava por profundas provações, congregação da igreja de Arapuá, pastoreada pelo rev. Johnston.
Ao fim dos três meses, março de 1932, foram para Patos, onde Carlos trabalharia no Instituto Sul mantido pelo Dr. Antonio dias Maciel. Nesse ano não retornam aos estudos, foi preciso adiar os planos do seminário.
Em Patos um dos pioneiros foi o rev. André Jensen, o mesmo que em Carmo do Paranaíba enfrentou com sabedoria do céu e bravura, um padre em um debate.
Quem continuou o trabalho do rev. André Jensen foi o rev. Alberto Zanon, que fazia o trajeto de Rio Paranaíba, Carmo, Patrocínio, Monte Carmelo, Estrela do sul, Paracatu e Patos de Minas.
Carlos e o rev. Johnston, atendiam o campo de Paracatu e foram eles que iniciaram  o trabalho missionário em João Pinheiro.
Maria trabalhou como diretora do Internato do Colégio de Patos, o qual passou a ser a Escola Normal Oficial.
O rev. Antonio Maciel e sua esposa Ordália Maciel tempos depois se mudam para o Rio de Janeiro.
Carlos pretendia voltar para o Seminário em Campinas ao termino daquele ano, mas irrompe a revolução paulista e assim eles permanecem em Patos.
Em 1934 por ocasião de uma convenção idealizada pelo rev. Eduardo Lane, sua esposa Mary Lane e pela Srta. Frances Hesser, Maria recebe a visita de Seus pais em Patos de Minas, os quais depois do encontro em Patrocínio vão a Patos.
Seu Manuel tem a alegria de ver de ver em sua própria fazenda uma Igreja com mais de duzentas pessoas, vê também muitos de seus irmãos além de seus filhos no caminho do senhor. Uma família extensa e abençoada através da qual surgem varias igrejas e congregações, entre elas, Monte Carmelo, Douradoquara, Água Limpa, Abadia dos Dourados e Perdizes que inaugurou em 15 de setembro de 1940 tendo como pregador o rev. Zaqueu de Melo, filho de seu Manuel.
Em 1935, mesmo ano em que sr. Manuel de Melo vem a falecer, Carlos, Maria e os filhos retornam a Patrocínio, onde Carlos passa lecionar no Instituto Bíblico.



Referência bibliográfica.


CHAVES, Maria de Melo. Bandeirantes da Fé. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2008.

Hinduísmo

Introdução.

A religião, embora seja difícil de definir, não é difícil percebê-la, afinal, ela está presente no mundo, pois o ser humano é religioso e não deixará de ser religioso e a cada novo tempo, novas formas de religião vão surgir. A religião se relaciona com a comunidade e com atos religiosos que muitas vezes são mais
importantes que a própria doutrina. Não se pode negar ainda as experiências religiosas.
Antes de adentrar especificamente na religião por nós escolhida, vale destacar que existe não apenas um conceito de divindade como se poderá perceber a seguir.
Há o monoteísmo que é a convicção de um único deus. A monolatria que adora um único deus, mas não nega a existência de outros deuses. Politeísmo acredita na existência de diversos deuses. Panteísmo é a crença que deus está presente no mundo e permeia tudo o que existe aqui. Animismo é a crença nos espíritos e acredita que na natureza habita espíritos.

Hinduísmo.

O hinduísta crê na existência divina, mas existem muitos outros aspectos que poderá ser percebido.
Existe uma característica que diferencia o hinduísmo das demais grandes religiões do mundo. No hinduísmo não existe uma organização, não existe um credo e além de tudo isto, não existe um fundador. É uma religião aberta abrangendo novos padrões de pensamentos e expressões que caracterizam religiões. Uma religião com várias formas de religião, por isso, extremamente complexo e está presente no mundo há 3 ou 4 mil anos.
As raízes do hinduísmo pode ser encontrada entre 1500 a.C a 200 a.C. quando um grupo que tinha ligação com religiões gregas, romanas e germânicas dominaram a região do vale do Indo. Eram os arianos com a religião védica que possui o livro dos Vedas que destaca alguns traços importantes dos ritos religiosos deste grupo que associado aos antigos moradores, deram início ao hinduísmo que se tem hoje.
Nesse tempo houve um grande desenvolvimento religioso na Índia. Textos foram escritos que ainda são lidos. São livros dos Vedas em quatro volumes chamados de Upanishads que retratam diálogos entre mestre e o discípulo. O livro fala do Brahman que é uma força espiritual que dá base para todo o universo. Não apenas isto, mas todos nascem do Brahman e ao morrer volta para o Brahman.

Conforme já foi dito, o hinduísmo do modo que se conhece hoje, possui uma variedade grande de ideias bem como de formas variadas de culto. Não é uma religião padrão, assim, eles não são parecidos senão pelo sistema de castas.
Embora haja em todas as sociedades modelos que evidencia em graus menores ou maiores que caracteriza grupos sociais, a realidade na Índia é completamente pensado e sistematizado.
Desde os primórdios era possível encontrar quatro classes sociais. A classe dos sacerdotes chamada de brâmanes, a classe dos guerreiros, a classe dos agricultores, comerciantes e artesãos e a classe dos servos. Mas no decurso da história, à medida que a sociedade indiana foi crescendo e se desenvolvendo, novas classes bem definidas foram surgindo a ponto de ter já no início do século XX em torno de 3 mil castas. O surgimento das castas é um mistério e nem tão pouco pode-se afirmar que se trata de uma evolução a partir das quatro iniciais, o que se sabe é que existem castas ou simplesmente divisões na sociedade indiana.
Em geral, as castas estão associadas às profissões e em uma única aldeia, pode ser encontrada várias castas com um número superior a vinte chegando a trinta grupos de castas no meio da comunidade. Cada grupo de casta, normalmente ocupa um agrupamento de casas.
As regras são específicas para cada uma delas tornando a conduta diferente bem como a prática religiosa e é justamente a prática religiosa da casta que determina o casamento, assim, a pessoa permanecerá dentro de sua casta. O relacionamento social também fica bastante restrito àquela classe de pessoas como sentar com alguém para se alimentar, trabalhar e até que tipo de profissão pode exercer.
A religiosidade hindu, se baseia pela pureza e impureza. Várias ações podem tornar o indivíduo impuro e este precisa buscar a purificação. Tocar em alguém de casta inferior ou que não tenha casta conforme a perspectiva deles, exige ações para voltar a estar puro. Uma das maneiras de se purificar é banhar-se em um rio sagrado da Índia, especialmente o rio Ganges. Esta noção de pureza e impureza norteia o trabalho no país, pois somente algumas classes podem realizar os trabalhos ou qualquer outra atividade que é considerada impura. Assim, estas castas inferiores, ajudam a manter a pureza das castas superiores que têm o privilégio por serem pessoas superiores, de se aproximarem dos deuses mais elevados. Por isso, é necessário haver os impuros para beneficiar os puros, mas de algum modo, todos são beneficiados com isto, tanto que o pior castigo que se possa ter é ser expulso da casta que faz parte. Isto só acontece como punição a um crime muito grave. O nível mais baixo no sistema indiano é quando alguém é considerado intocável ou que não tenha casta. Estes são os criminosos, os lixeiros e os curtidores de couro de animais bem com os cristãos.

É de conhecimento mundial a relação do indiano com a vaca. Para eles, a vaca é um animal sagrado que é adorado especialmente em festas religiosas, mas que é completamente respeitada durante todo tempo. Provavelmente esta condição dada à vaca teve início nos vedas e em um antigo culto da fertilidade. Existem hinos dos vedas que exalta as vacas dizendo que elas suprem tudo que é necessário para o sustento da vida. Com o decorrer do tempo a vaca se tornou um símbolo da vida e é absolutamente proibido matá-la, afinal, ela é mais pura que um brâmane. Tocar em uma vaca torna a pessoa ritualmente limpa. Tudo que a vaca produz e tudo que tem origem nos produtos dela são usados em cerimônias de purificação. O leite, a manteiga e até os excrementos e a urina podem ser usados. Além da vaca, são sagrados para os hindus outros animais como o macaco, o crocodilo e a cobra. Os indianos normalmente não gostam de matar e isto fez de uma grande parte da população, pessoas vegetarianas com um ideal de não a violência.

A filosofia dos Upanishads afirma que o homem tem uma alma que jamais morre e nem fica envelhecida à medida que o tempo passa e não morre quando o indivíduo morre. Este conceito aplicado entre os hinduístas os fazem acreditar que a alma renasce quando o indivíduo morre. Aqui pode compreender o conceito de carma e de reencarnação deles. O hinduísta acredita que após a morte, o indivíduo renasce em outra criatura e pode nascer em uma casta mais alta, mais baixa e até em um animal. O que faz o movimento disto acontecer é o carma do homem. Carma que é expressão sânscrita que significa ato que por sua vez significa não apenas as ações, mas também pensamentos e sentimentos. Todas as ações têm consequências que podem aparecer depois da morte. Isto significa que tudo de uma vida dá base para outra vida. Na verdade, o carma não é uma punição pelas más ações e nem uma recompensa pelas boas ações, mas é uma lei natural da vida. Cada ato do hinduísta nesta vida e da próxima vida é de responsabilidade dele mesmo. Tudo que a pessoa experimenta nesta vida é resultado de suas próprias ações de vida anterior. Por isso, as castas continuam, pois a doutrina do carma sustenta tudo isto e o incentiva a viver melhor para que em uma vida posterior retorne em uma casta e situação melhor.

Os hindus não tem uma doutrina clara que mostre como será salvo, ou seja, como escapará do ciclo da reencarnação e se unirá ao absoluto universal. Embora haja muitos grupos com pensamentos divergentes, pode-se no hinduísmo perceber três vias de salvação que poderão tirar o individuo do ciclo cansativo da reencarnação. Tem a via do sacrifício, do conhecimento e da devoção que não são movimentos religiosos e sem tendência que pode ser escolhida ou não. A via do sacrifício remonta ao período dos vedas. Fazendo sacrifícios e boas ações, muitos tentam chegar à felicidade terrena, ter saúde e riqueza além de ser fértil em sua descendência com o objetivo final de se libertar do ciclo vicioso da transmigração do espírito. A via do conhecimento segundo o ensino dos Upanishads, afirma que a ignorância do homem o prende no ciclo da reencarnação. O oposto da ignorância que é o conhecimento é um caminho de salvação. Mas o homem somente será salvo quando adquirir o reto conhecimento. A terceira via é a da devoção. Por volta de 600 a. C. no sul da Índia teve início esta proposta de salvação. Esta ideia é a mais predominante na Índia que é caracterizada pelo amor de devoção do homem para com deus que é a divindade Brahman. O caminho mais seguro para encerrar o ciclo e ser salvo é bhakti, que é a devoção e a crença e isto acontece independente da pessoa, sexo ou mesmo casta, todos podem desfrutar da graça de devoção a deus.

Sendo o hinduísmo uma religião plural, o conceito de deus também o é. Normalmente o hinduísta tem o conceito panteísta de divindade. Conforme já visto aqui, é a crença que deus está presente no mundo e que não é uma divindade pessoal, mas uma força ou energia que permeia absolutamente tudo como as plantas, os animais, as pessoas e até os objetos inanimados. Entre os menos filosóficos, tem a cresça politeísta. Cada aldeia tem a própria divindade. Este conceito remonta aos vedas. Deuses como Vishnu conhecido por ser um deus suave e amigável. Um especialmente popular é Krishna, que é adorado por ser onipresente senhor do mundo. Outro deus importante é o Shiva. Este é o deus da meditação e dos iogues. Este deus é tanto criador quanto destruidor, por isso é ao mesmo tempo aterrorizante e atraente. No meio acadêmico é mais comum os deuses Vishnu (que sustenta a criação) e Shiva (que é o deus destruidor) formando uma trindade de deuses com Brahma que é o criador.
No hinduísmo se destaca também a presença de deusas. Como a "Rainha do Universo" ou "Deusa-Mãe". Mais conhecida como Kali, que é uma deusa negra.
Ainda é possível perceber a presença de deuses menores na Índia especialmente nas aldeias.

A vida religiosa dos hindus devotos se caracteriza por uma religiosidade presente no lar e no templo. Em casa normalmente tem uma local específico com esculturas que representam deus ou deuses. Existe ainda pequeno altar para que a família celebre uma adoração à divindade que pode se repetir várias vezes ao dia. O culto pode ser diferente conforme a casa, mas normalmente acontece com sacrifício, oração e recitação de textos considerados sagrados além da meditação. Eles prezam pela pureza e por isso, costumam se purificar com um banho purificador para somente depois cultuar. Cerimônia normalmente é assim: banho purificador, sacrifício é preparado em acordo com algumas regras. Pode-se colocar no altar arroz e flores e após isto o servo adorador se inclina ao chão com mãos unidas diante das imagens. Pronuncia o nome do deus e recita textos sagrados além de oração espontânea e pessoal. Quanto ao templo, não existe uma obrigatoriedade de ir, mas lá acontecem muitos serviços. Existe em cada aldeia um templo. No decurso do dia, a atividade no templo inicia ainda de manhã com música com a finalidade de despertar os deuses. Lava-se as imagens e alimenta-se os deuses várias vezes durante o dia. As pessoas que passam por lá, rezam, oferecem sacrifícios de flores e outros presentes ou param para escutar a explicação dos textos sagrados pronunciada pelo sacerdote.

Para eles, a realização da pessoa é mais importante que a crença dela. Sendo assim, a ortodoxia é menos relevante que o costume correto. O rito religioso é mais importante que o seu conteúdo. Isto é explicado pelo “darma comum” que é uma lei ou ética. Não significa que as pessoas sejam iguais, pois sendo assim, não haveria as castas, mas a igualdade está em ser responsável para com a sua família e sua casta, mesmo sendo esta responsabilidade diferente de uma para a outra pessoa. Assim, o que é bom para um indivíduo pode não ser bom para o outro. Ser um praticante da boa moral é ser plenamente responsável com a sua própria casta.

O hinduísmo além das três vias de salvação; ensina sobre os estágios da vida que são quatro. Esta divisão é bem mais relevante aos brâmanes do sexo masculino. Estes quatro estágios representam um ideal. Aos oito anos de vida o menino brâmane participa e realiza um rito que é de passagem quando recebe o “fio sagrado”. Isto simboliza que o menino nasceu pela segunda vez e assim se tornou um discípulo sendo entregue ao guru que é um mestre para estudar o texto sagrado cumprindo o primeiro estágio. Ao completar o primeiro estágio, se casa tornando-se pai de família, este é segundo estágio. Neste estágio, o homem casa-se, tem filhos e desfruta dos prazeres. Esta fase se encerra quando os netos começam a crescer e então o homem se torna contemplativo que é o terceiro estágio. Este é estágio para se retirar a um local tranquilo como floresta ou monastério. Alguns prosseguem e chegam ao quarto estágio que é de se tornar um santo andarilho quando já idoso, vive andando sem posses e sem moradia fixa e sobrevive com esmolas. Não tem mais deveres com casta e nem laços externos. Busca o conhecimento e se torna habitação divina.

            A Índia demonstra ser um país com contraste significativo referente ao papel da mulher. Não apenas isto, mas o modo como a mulher é tratada e considerada espiritualmente e socialmente. Embora afirme o livro dos Vedas que o homem e a mulher são absolutamente iguais, isto não é aceito na prática. Existe um livro de 2 mil anos dos indianos que afirma:

"Assim como o estudo e o serviço doméstico na casa de seu mestre são para o menino, assim deve ser para a menina viver com seu marido; ela deve ajudá-lo em seus deveres e ser ensinada por ele. Cuidar do fogo sagrado, como seu esposo lhe ensina, é comparável ao serviço do menino junto ao fogo sacrificial de seu mestre". [1]


Assim, as mulheres indianas são normalmente encaradas como propriedade do marido. A mulher solteira tem uma condição inferiorizada em relação às casadas, mas uma casada sem filhos também pode desfrutar de uma condição muito ruim. Mas em oposição a esta condição da mulher, foi na índia que uma mulher chamada Indira Gandhi ocupou o cargo de primeiro-ministro e muitas mulheres exercem influência naquele país. Outro aspecto que vale ressaltar é que muitas mulheres indianas trabalham fora de casa.

 Considerações finais.

            Por fim, ressalta-se que a Índia é um país de terceiro mundo localizado na Ásia Meridional e com mais de 1 bilhão e 200 milhões de habitantes é o segundo país mais populoso do mundo.
As ideias e conceitos religiosos hinduístas não estão limitados apenas aos moradores da Índia, mas já estão espalhados no mundo todo. É bastante comum, por exemplo, ver no Brasil a prática da Ioga. Embora seja a Ioga uma parte do conjunto religioso hinduísta, pode-se notar que esta prática não se limita apenas aos indianos que aqui residem, mas grande parte da população brasileira hoje tem aderido a este tipo de meditação. Outra realidade muito presente que já se firmou dentro de uma religião no Brasil e que tem sido anunciada e pregada é a defesa da reencarnação. O indivíduo reencarna até atingir um ideal de vida. A reencarnação que é originária especialmente do hinduísmo e difundida, ensinada e credenciada pelos indianos hindus, hoje já chegou a um nível de grandes proporções no Brasil.
Chega-se a real conclusão que a religião hinduísta ultrapassou os limites de seu berço e já exerce influência no mundo todo.

Juliano Costa de Souza.

Referência bibliográfica.

Camurça, Marcelo. Ciências Sociais e Ciências da Religião: polêmicas e interlocuções. São Paulo: Paulinas, 2008. (Coleção repensando a religião).

Gaarder, Jostein e Hellern, Victor e Notaker,  Henry. O Livro das Religiões. Tradução, Isa Mara Lando. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

Glaab, Bruno. O Fenômeno Religiosos - Hinduísmo  http://www.estef.edu.br/br unoglaab/wp-content/uploads/2011/09/Hindu%C3%ADsmo.pdf, acessado em 02 de novembro de 2013

Wikipédia, a enciclopédia livre. Hinduísmo. http://pt.wikipedia.org/wiki/Hindu%C3%A Dsmo, acessado em 02 de novembro de 2013.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Índia. http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dndia, acessado em 02 de novembro de 2013.




[1] Citado por Gaarder, Jostein e Hellern, Victor e Notaker,  Henry. O Livro das Religiões. Tradução, Isa Mara Lando. São Paulo: Companhia das Letras, 2000, p55.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Não ler a Bíblia é ignorar o que Deus diz.

A Bíblia como livro, não tem poder se não for utilizada. Herminsten Maia em seu livro “A tua palavra é a verdade” diz que “a Bíblia fechada não tem poder nenhum, nem mesmo aberta funciona como talismã... Ela precisa ser lida, meditada e praticada”. Assim, a Bíblia produzirá transformação espiritual. É necessário guardar em nosso coração a Palavra de Deus. É o que nós percebemos lendo o Salmo 119.11 que diz: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti”. A expressão verbal “guardar” transmite o sentido de preservar a mente, o coração, e os nossos atos do pecado. Lembre-se que é a Palavra de Deus; rejeitá-la é rejeitar o próprio Deus e ignorar o que Ele diz.
  Uma vez que é Palavra de Deus a nós, a leitura produzirá conhecimento dele mesmo. É pertinente ainda ressaltar que simplesmente pronunciar o nome de Deus, não significa existir relacionamento com Ele, pois o relacionamento só existe quando há conhecimento de ambos os lados. Assim, quanto mais conhecer a Deus pela leitura de sua Palavra, mais íntimo e profundo será o relacionamento. É certo que Deus se revela pela natureza criada como lemos no Salmo 19: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos...” , mas o ápice do que se pode conhecer de Deus é a revelação bíblica.

Juliano Costa de Souza